Especialistas defendem que investir em qualificação técnica é o caminho para reduzir custos e acelerar obras públicas e residenciais no Brasil
O avanço de novas tecnologias baseadas em estruturas metálicas vem redesenhando a forma como grandes obras de infraestrutura e construções residenciais são executadas ao redor do mundo. De projetos públicos de grande porte a casas de alto padrão, a combinação entre engenharia moderna, pré-fabricação e mão de obra qualificada tem garantido obras mais rápidas, econômicas e previsíveis.
Para o técnico em edificações e planejamento Cleone de Araújo Corrêa e para o engenheiro civil Rodrigo Pereira, especialista em grandes obras públicas, o Brasil já dispõe da tecnologia necessária — o principal desafio está na capacitação técnica para o uso correto dessas soluções.
“A tecnologia existe, o que falta muitas vezes é preparar profissionais e gestores para aplicá-la de forma estratégica. Quando isso acontece, o impacto é direto na redução de custos e no cumprimento de prazos”, afirma Cleone.
Experiência internacional mostra resultados
Em países da Europa, Ásia e América do Norte, a construção metálica associada a sistemas industrializados se consolidou como padrão em grandes projetos. Pontes, aeroportos, edifícios públicos, arenas esportivas e conjuntos habitacionais utilizam componentes pré-fabricados em aço, produzidos em ambiente controlado e montados no local em tempo reduzido.
O uso de construção modular, modelagem BIM (Building Information Modeling) e ligas metálicas de alta performance permite maior precisão estrutural, menos desperdício de material e um planejamento mais rigoroso de cada etapa da obra. O resultado são cronogramas mais curtos, menor custo global e mais segurança durante a execução.
Rodrigo Pereira destaca que essa lógica foi aplicada em grandes eventos internacionais, inclusive no Brasil.
“Nas obras das Olimpíadas do Rio de Janeiro, vimos como o uso de sistemas industrializados, principalmente metálicos, foi decisivo para cumprir prazos rígidos. Sem essas tecnologias, simplesmente não teria sido possível entregar estruturas daquela complexidade no tempo exigido”, explica.
Capacitação como fator decisivo
Segundo os especialistas, o grande diferencial dos países que avançaram nesse modelo não foi apenas a tecnologia em si, mas o investimento contínuo em engenharia, formação técnica e planejamento integrado.
Cleone ressalta que estruturas metálicas exigem conhecimento específico desde o projeto até a montagem. “Quando a equipe técnica domina o sistema, a obra ganha em produtividade e qualidade. Sem capacitação, o risco de uso inadequado cresce”, diz.
Rodrigo concorda e reforça que o investimento em capacitação retorna em forma de economia: “Uma equipe bem treinada evita retrabalho, desperdício e atrasos. Isso vale tanto para uma obra pública bilionária quanto para uma residência unifamiliar”.
Aplicação também no setor residencial
Atualmente, Rodrigo Pereira é CEO da RPX Engenharia, empresa especializada na construção de casas residenciais de alto padrão em diversas regiões do Brasil. Segundo ele, as mesmas tecnologias usadas em grandes empreendimentos públicos também estão revolucionando o mercado residencial.
“Estruturas metálicas permitem projetos mais ousados, obras mais limpas e prazos muito menores. Uma residência que levaria um ano para ficar pronta pode ser entregue em poucos meses, com controle absoluto de qualidade”, afirma.
Além da velocidade, o uso do aço amplia a flexibilidade arquitetônica, facilita futuras ampliações e reduz custos de manutenção ao longo do tempo — fatores cada vez mais valorizados por clientes residenciais e investidores.
Caminho para o futuro da construção no Brasil
Para Cleone e Rodrigo, o Brasil tem potencial para dar um salto de eficiência na construção civil se alinhar tecnologia, capacitação profissional e planejamento público e privado.
“O debate precisa sair do campo do improviso e ir para a engenharia de solução. Capacitar pessoas é tão importante quanto investir em máquinas”, conclui Cleone.
Rodrigo reforça: “Quando o conhecimento técnico acompanha a tecnologia, o resultado é obra entregue mais rápido, mais barata e com mais qualidade. Esse modelo já funciona no mundo — e funciona em qualquer escala”.
A aposta em estruturas metálicas e na qualificação técnica surge, assim, como um dos caminhos mais consistentes para modernizar a construção civil brasileira e atender às demandas de um país que precisa construir mais, melhor e em menos tempo.
