As críticas de Donald Trump ao combate ao crime organizado no Brasil foram um dos assuntos levados pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo a integrantes da equipe do presidente americano nesta quarta-feira, 16.
O encontro ocorreu no Departamento de Estado dos Estados Unidos e também teve como pauta a crise institucional brasileira. Durante a reunião, os dois defenderam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes sejam alvo de sanções americanas.
Figueiredo afirmou à CNN Brasil que ele e Eduardo Bolsonaro apresentaram ao governo Trump o entendimento de que Moraes permanece formalmente designado pela Lei Global Magnitsky. A defesa apresentada no encontro foi para que o ministro volte a figurar na relação de pessoas sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Tesouro dos Estados Unidos.
A designação de Moraes pelo OFAC havia sido retirada em dezembro de 2025, quando o órgão anunciou a remoção do ministro da lista de sancionados.
“Nossa posição é a de que Moraes continua sob a designação da Lei Global Magnitsky e que não há razão para que ele não seja reincluído na lista SDN [lista de pessoas designadas e bloqueadas] do OFAC”, disse Figueiredo.
Outros dois ministros na mira
As medidas defendidas durante a conversa também envolveram Flávio Dino e Gilmar Mendes. Segundo Figueiredo, os dois ministros deveriam ser incluídos entre os alvos de sanções.
“Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também”, defendeu.
A reunião aconteceu um dia depois de o STF realizar o julgamento para análise do relatório produzido pela Polícia Federal (PF) no âmbito do Caso Master.
Combate às facções
Figueiredo também relacionou a conversa ao posicionamento recente de Donald Trump sobre a segurança pública brasileira.
Na terça-feira, 15, o presidente dos Estados Unidos afirmou, em documento enviado pelo Congresso, que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Trump declarou ainda que o Brasil precisa adotar medidas agressivas para combater e derrotar as organizações antes que elas se espalhem e cresçam.
“O anúncio sobre o fracasso do governo Lula em combater o tráfico de drogas é algo que vale os brasileiros prestarem a atenção”, comentou Figueiredo.
“Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não”, completou.
